A flor do samba
Poesias
Ateu Poeta
1

A FLOR DO SAMBA
A flor do samba se foi
Para sempre
Um mar de lágrimas
Afogou o meu coração
Grito de dor
Semeado na mente
Estrela que brilha
Enquanto houver canção
Ateu Poeta
01/05/2019
2
155-PLUMAS DE PAPEL
A poesia é a propagação de mim
Propaganda de minh'almafrasinacabada
Compondo-me em Anjo Tinteiro
Fração do homem derradeiro que fui
Armadura de sonhos e plumas de papel visto
A naufragar pelo Céu dum âmago de teu olhar
A fim de mensurar semblantes simbolistas
Dentre os quais o teu é paisagista
Canto para acalanto simbolpaisagparnassurrealromantiarcadiconstrufuturmetafisiccubluminexprecimprecpremoderndadaindinacsaldrealnaturalbarrocondoreirístico cansado de voar
Quero emancipar meu alfabetfilamento
Sobre o sabor amargo do saberincandescente
Rasante veredcachoeira
Afogo o mar-medmortcaspidvermelho
No oceano Pacífico do transeunte navegador
Lanço lanças ao mundo
Lenços leves feridos nas mãos d'indigentes
I e Ê, migrantes
Lanternas atingem aos moradores da Noitignorância
Sou um deles a vagar pelos dias
Armado pelo quente amor duma caneta vazia d'arrogância
Ateu Poeta
23/03/2008
23/03/2008
3
Nada sem símbolos saberei
A análise cognata gera esperança em melodrama juvenil
Ignorância profunda no advento da razão mais pura
Além do sentir imanente a leis verossímeis
Simbiose aparametral de silício
Reflexos perante complexos anexos à ideologias seculares
Parametafísica dialética sociopolítica
Numismática ideológica do desejo
Quanto pesa o pensamento perenemente incontinente?
Ateu Poeta
2008
4
Arte, alopatia sem destino
Retriz, desatino semântico a romper-me lalíngua
Minha mente dói
Mente para acalanto inútil
Acorde soporífero
Idiossincrasia
Sons sapateiam esbelto mar
Piracema
Pindorama
Cassorotiba
Içá
Cassico
Cassico
Alçar voo sem titubear
Ateu Poeta
03/10/2007
5
Olho para o escuro
Tentando enxergar o invisível que nele se esconde
E só me surgem os versos Meirelianos
"Onde?"
Ateu Poeta
11/10/2007
6
CAOS
A personagem central
Em sua nudez esquecida
Travestida de nu
Estatuária miragem da metáfora
Onze caos bailantes ao redor de si
Passos seguros
Quase imperceptíveis
Por tamanha lentidão
Não seria melhor por uma estátua
No lugar da atriz?
A peça que dá sentido à peça
Mal chama a atenção da platéia
Nada que impeça a crítica aos tempos atuais
Numa linguagem sem idioma
Ateu Poeta
11/03/2008
11/03/2008
7
DICOTOMIA
Uma ruiva de verde na escuridão imensa
Parapsicologia dum balet mais puro
Transcendental
Epilepsia contrastante ao piano
Planos tricolores em verde, vermelho e azul
Batida eletro-contagiante
Seria a cruz proposital?
Balarina-marionete ou musa sonhadora?
Efeitos simples e precisos, preciosos
Jogo luminoso e sonoro da razão confusa
Sonho difuso na ficção teatral
Treze vagalumes-sapiens que a platéia adora
Enverdiaram minha mente ausente de maneira tal
Que o víride a mim se fez imanente
Ateu Poeta
11/03/2008
11/03/2008
8
EUGLENA
A vida é higiene natural
Movimento
Batalha por essência
Defeito universal
Decadência
Inerência à força
Transcendência
Antítese da estagnada perfeição
Desequilíbrio em cadeia
Ação e cadência
Ciclo de maquinários evolucionais
Ateu Poeta
11/03/2008
11/03/2008
9
ÍRIS
Haverá o pecado perfeito
Neste mundo errante
Bipassionalismo ou variante
Arrasante
Arrasadores rastros em alto-relevo
Que relevem o Realismo
Revelando racionalismo
No rasante pouso do luar?
Quem dera, no momento
Em teus mares oculares mergulhar
Sentindo a maresia incessante
Das safiras caras!
Denominas íris
Por que não diamantes?
Tratará o tempo, talvez
De nos incorporar
Ao construtivismo do arrebol?
És aliteração do Sol
O anil de meu sonhar
A fantasia de minh’alma
A canção do meu pensar
Ateu Poeta
20/08/2005
10
QUANDO O MEU CORPO FOR AURORA
Reminiscências de quem nos inventou nas laudas vastas de cada filamento inspirado
De homens em personagens do escritor empenhado nos falsificará a caneta alquimista
Figuras mistas de mistérios sub-desvendados séculos afora
Quando o meu corpo for aurora, quem sabe parte de mim seja banhada por lágrimas salinas enquanto meus raios luminosos encandeiam minha própria escuridão
Sou o Universo em expansão, mescla de tantos outros quanto existirem
Serei maior do que a síntese de agora, esse corpo me engana ao prender-me à essa consciência que em mim aflora
Estarei livre como outrora, antes de viver
Vida e morte se irmanam, como nunca vou saber, num ciclo que transforma matéria bruta em ser
Esse eu que avisto é um equívoco que habita em mim
Por que sinto que sou tudo se não sei nada fora desse ser pensante, minha infinda divisão, habitante do pensamento, que se opõe à liberdade tardia?
Amanhece, outro ilusório dia, nesse tempo irreal, da noite, que me irradia
Ateu Poeta
11/12/2007
11/12/2007
11
RETORNO DE UM POETA
Que fazer de um pintor sem dom
Cantor sem tom
Jogador nem bom?
Sonhar será talvez
A sina
Deste escritor
Criador
Difusor?
A escuridão
EXPLODE
Num sussurro...
Murro...
Ou, quem sabe, um urro?
ACORDO
Sem Acordo!
Volto a dormir,
Na melodia de um acorde...
ACORDE!
Um Corte
Na CORTE
Um golpe de luz me força
Retorno à vida
Sem fazer força
Ateu Poeta
2004
2004
12
PARTITURA D'AMORE
Nêga, não nega que me ama
Tua gana chama
Engana
Deixe que decifre as cifras nas sinfonias do seu dançante
corpo-chama
Sê minh'ama
Cabelos belos pelos ares em esvoaçante elo
Olhar ufanista de dama que na pureza doma desprovido de
chama, redoma
Os braços meus querem fazer laço no aconchego meigo de
seu diamantino regaço
Sendo radiante sombra a cada passo
Feito passavante sigo avante em descompasso
Um compasso de paços a sorrir num perfeito arrebol
Perpasso
Caço abrigo ao Sol duma valsa prima
Careço seu afeto tal qual prematuro feto
Porém, a confiança suprema toma conta de meu ser por
inteiro
Vivo o intenso momento que se alça
Nem me preocupa ser o primeiro ou derradeiro
Desfruto do êxtase verdadeiro
Ateu Poeta
11/07/2007
13
SE
Se o rei fosse o curinga
Poderíamos desmascarar a graça da existência?
Se o império pertencesse ao trovador
As canções de amor dominariam os continentes?
Se em vez de cantar as mazelas do mundo
Eu almejasse a beleza nos olhos de Aline
E me rendesse às nereides tentadoras
Será que isso me bastaria?
Se os gladiadores dominassem todas as armas
Na política só tivessem boêmios
Todas as questões diplomáticas
Seriam resolvidas no punho da espada?
Se eu não fosse ateu
Só neste ano aceitaria a Teoria da Evolução?
Mas, se a vida fosse um teatro escrito
Num poema Drummondiano
Interpretado por Paulo Autran
Quem sabe houvesse razão
No poder in natura
E uma última flor amarela germinaria
No jardim dos intelectuais
E um sorriso de moça
Regeria o universo
Ninguém careceria de meus versos
Para ser feliz
Ateu Poeta
19/10/2008
14
INTIMISMO
Nunca me apaixonei de fato
Adoro todas
Sem adorar nenhuma
Dentre os perfis mais distintos
Cada um belo a seu modo
Ou será instinto?
Perco a fala
Minto
Não decido se quero
Nem qual delas
Muito menos se eternamente em vida
Ou por um milésimo de quase morte
Não decido entre uma música de Chopin e um quadro de Rubens
A irreverência de Carlitos e as teias do Homem-Aranha
Qual chamarei para uma dança ou se vou embora
Se insisto ou desisto
Vale a pena tanto esforço se a vida é em vão?
Se soubesse porque desejo talvez minha vontade controlasse
O que fazer?
Sou deslumbrado em desencanto
Canto porque a noite me persegue
E a solidão me nina
Alcançando meus medos do insólito
Menina, aqui jaz um poeta
E o desatino é libertar-me
Dentro desse pavilhão
Amanhã, o ritual
Perdido entre a massa
Sonho feito intelectual
Enquanto o tempo passa
Ateu Poeta
06/10/2008
15

MIL DIAS
Não, eu não te amo
Só quero viver a teu lado
Sonho calado
De cada um dos mortais
A imortalidade, se existir, é propriedade do Universo
Mas, quero fingir neste verso
Que se abriram os portais
Não somos frialdade
Estamos imortais
Último segundo de lealdade
Não, eu não te amo
Pois todo amor é prisão
Temos que ser livres
Que as dores cicatrizam
Viva, não se prive
Neste mero livro de neve
Ninguém se atreve
A desvendar a charada da composição fractal
Calibre teatral de muitas libras
Ancestral descrito em gestos da LIBRAS
Não, eu já disse
Não peças jura
Tanto empenho na tortura
Três peças no xadrez da usura
De um jogo sem lógica
Só quem ganha é Thanátos
Nem aqui nem na Bélgica
Se com sangue se banha
Neste último ato
Sou ator do desacato
Em batalhas gladiais
A vida é de fato uma fagulha
Não há fadas, só agulha
A penetrar n'armadura
Vamos ver quanto dura
Essa tua paixão
Vou te contar um segredo
Já nem mais tenho chão
Detenho asas de Eros
Vou voar por mil dias
Ateu Poeta
05/02/2009
16
CRIATURA
A vida é uma passagem só de ida
Arte sem criador
Quem vive é mero espectador
Do caos chamado Universo
Morrer, ávida partida
Estrangulamento da evolução
Por que sou homem, não pedra?
Viver: mera abstração do inanimado
Desarmonia embebida
Num pouco de higiene natural
O criador é a própria criatura
Natureza, que desventura essa de viver!
A proeza do pensar é que escraviza
Liberdade é não rimar
Ateu Poeta
23/05/2009
17
MATA ATLÂNTICA
Natureza, bela e precisa
Dela todos somos parte
Desde a existência
À humana arte
Natureza, simples e complexa
Sem valor agregado
É saúde, é agrado
A própria existência a ela está anexa
Temos uma ignorância
Profunda do natural
Construímos cidades
Destruindo a zona rural
Esquecemos as curvas de nível
Fazemos queimadas indevidas
Realizamos a pesca predatória
Matamos tudo em que há vida
Poluímos rios e mares
Vão-se as matas
Vão-se as flores
Pássaros engaiolados
Estão confusos os valores
O lucro faz miséria
Na qualidade de vida
Estresse é coisa séria
Fator de muita fadiga
Andamos tão cansados
E o clima tão alterado
Que nos causa intriga
A paisagem perde a graça
Concreto sobre a morta mata
Tudo podem os de gravata
_Que humanidade ingrata!
O que fica no lugar?
Área de proteção ambiental
Nada substitui
Nada é igual
Mata Atlântica degradada
Carece replantação
Ecossistema sem cuidado
É dizer sim à extinção!
Ateu Poeta
2009
18
Túnel, lugar sombrio
A luz no final, se houver, é real?
Boa ou ruim? Não sei
A toda hora há a escuridão a atravessar
E se for o trem?
Valerá a pena prosseguir?
O mundo é uma caverna de Platão
Ateu Poeta
23/10/2011
23/10/2011
19

LINDA & LIVRE
Ela é desquitada
Mas, é linda
Só sai de mine saia
E tomara que caia
Quando a noite finda
No açoite frio
Da tristonha solidão
Não tem varinha de condão
Se tá na pista
É pra dançar
Com experiência
De Arrasar coração
No meu tem vaga
Pra nova paixão
É hora de sair do chão
Venha pra ficar
E tudo o que passou
É melhor deixar pra lá
Aprendizado é lucro
Com fruto ou não
A partir de agora
É cantar
Outro refrão
Da sua própria canção
Ela é desquitada
Mas, é linda
Só sai de mine saia
E tomara que caia
Solteira na balada
Que avião!
Quando mexe e rebola
Levanta a multidão
Então, DJ, aperte o play
E solte o pancadão
Que dá tempo ainda
De rolar muita ação
Ateu Poeta
28/05/2018
20

PRISÃO
Não sei seguir em frente
Mal consigo enfrentar
A angústia que me persegue
E a fera interna que me devora
Tudo me apavora
E o terror não sai
O tempo ora passa
Ora abraça
Abrasa
Prende
E cai
Mas
É
Sempre
Mordaça
Ateu Poeta
27/05/2018
A angústia que me persegue
E a fera interna que me devora
Tudo me apavora
E o terror não sai
O tempo ora passa
Ora abraça
Abrasa
Prende
E cai
Mas
É
Sempre
Mordaça
Ateu Poeta
27/05/2018
21

SAMURAI
Você pensa que quer
Respostas prontas
Com muita sanidade
E qualidade sem esforço
Por isso apronta
Apressa e afronta
Catarse a esmo
Porque você quer mesmo
É o caroço desse angu
A sua vaidade
É pantera feroz
Fênix macabra
Abracadabra
Espada Queiroz
Que arrasta para o caos
Você quer a escopeta
A batalha
A sarjeta
Fera-fêmea-capeta
Você busca, na verdade
A pura intensidade
Aquilo que lhe invade e perpetra
Chega e penetra
Com fúria e calma
Sem pedir licença ao mundo
Entra e não sai
Fere forte
E fura fundo
A sua alma samurai
Ateu Poeta
25/04/2018
22

COLISEU




Multiversos em versos astrais
Poiêsis d'aporética
Dialética magnética d'Isócrates
Zarapelhos são espelhos da matriz
O mundo das ideias no caleidoscópio
Todo ciclope tem visão de lince
Mas nenhuma lateralidade
Tudo flui entre arbitrariedades e a razão
Canção sem som
Multidão de um
Ateu afsan, ibarium
Jorge com Excalibur
Fere a Fênix espartana
Anel de Sigurd no dedo amputado da ciência
Sapiência também é perdição?
Ateu Poeta
17/03/2018

A cor do efêmero
Afaga a dor
Afoga a faca
Adaga
Adega
Adágio à grega
Agrega
Alega alegro
O saber tem sabor
Ateu Poeta
09/03/2018
Pra que dizer que "Deus existe"?
Ateu Poeta
Coliseu era o antigo
Fliperama
Amante da morte
Onde a sorte engana
Ateu Poeta
19/04/2018
23

SOFISMA SUPREMO
O universo é filho sem pai
Verso sem poeta
Poesia sem poética
Profecia sem profeta
Diálogo sem dialética
Drummond sem aporética
França sem avião
Franco sem franquia
Sofisma sem ditador
Jovem sem juventude
Confraria sem explorador
Surfista sem prancha
Em um mar de tubarões
Artista em Camarões
Que nunca leu Camões
Jornada que segue em vão
Gérmen sem semeadura
Não sabemos nem
Se vão
As peças desta
Arquitetura
De ilusão
No seio da fissura
Demão sem tinta
Extinta mão
Ateu Poeta
19/04/2018
24

ARMA QUÍMICA
Não é disfarce fácil
E talvez até clichê
Mas, a minha vida não faz
Mais sentido sem você
Uma mina inteira
Que só beira à ilusão
Esse sorriso grácil
É Vesúvio em erupção
Cada vez que me disse não
Uma nova arma química
Acertou o meu coração
Seu olhar é um míssil teleguiado
O meu peito é a Síria
Eu sou um rebelde desarmado
Ateu Poeta
18/04/2018
25

CAÇADOR
Roubou
Minhas asas
De condor
E voou
A vida virou
Um liquidificador
Sabendo que não
Nasci
Pro chão
Solidão
Vou
Aprendendo
A caçar
Escorpião
Ateu Poeta
06/04/2018
26

SAPIÊNCIA E PERDIÇÃO
Multiversos em versos astrais
Poiêsis d'aporética
Dialética magnética d'Isócrates
Zarapelhos são espelhos da matriz
O mundo das ideias no caleidoscópio
Todo ciclope tem visão de lince
Mas nenhuma lateralidade
Tudo flui entre arbitrariedades e a razão
Canção sem som
Multidão de um
Ateu afsan, ibarium
Jorge com Excalibur
Fere a Fênix espartana
Anel de Sigurd no dedo amputado da ciência
Sapiência também é perdição?
Ateu Poeta
17/03/2018
27

A COR DO EFÊMERO
A cor do efêmero
Afaga a dor
Afoga a faca
Adaga
Adega
Adágio à grega
Agrega
Alega alegro
O saber tem sabor
Ateu Poeta
09/03/2018
28
DESÁGUA
Eu aprendi
Só tem valor
O que desaba
O que se acaba
O que é paixão
E se a solidão
Deságua
É porque é ínfima
A imensidão
Ateu Poeta
08/03/2018
29
INFÂNCIA
Coisas de menino para mim é filosofar
Pegar o tempo que corre
O a de água questionar
A borboleta não é a natureza
O que não tem fim é incomecito
E as manias mil
Como passou depressa...
Ateu Poeta
23/10/2011
30
Nossas vidas se separam
Como pétalas ao vento
Quem despetala o tempo
Que junto apaga lembranças
Sonhos e esperanças
De uma vida melhor?
Juntemos as pétalas que sobraram
Ateu Poeta
16/10/2011
16/10/2011
31
NÃO-PARAR
Outro: objeto de prazer e frustração
Não o buscamos como ser
Mas, no infindo diálogo de poder e submissão
Ser humano é ser apenas extensão
Do que demais existe
Assim como qualquer outra coisa
Viva ou morta
A aparência é uma porta
A sapiência uma chave
Para um caminho qualquer
Que, no fim
Não leva à razão alguma
Todos os caminhos não levam a nada
Pois, o sentido em si não há
Não há resposta para suprir todas as questões
Nem toda pergunta é necessária
A vida em si é uma mortalha
Que cresce a cada dia
Forjada no calor da luta
Contra o próprio destino
Mero desatino do não-parar
Ateu Poeta
Mas, no infindo diálogo de poder e submissão
Ser humano é ser apenas extensão
Do que demais existe
Assim como qualquer outra coisa
Viva ou morta
A aparência é uma porta
A sapiência uma chave
Para um caminho qualquer
Que, no fim
Não leva à razão alguma
Todos os caminhos não levam a nada
Pois, o sentido em si não há
Não há resposta para suprir todas as questões
Nem toda pergunta é necessária
A vida em si é uma mortalha
Que cresce a cada dia
Forjada no calor da luta
Contra o próprio destino
Mero desatino do não-parar
Ateu Poeta
24/09/2011
32
ODE À NOSTALGIA
Nesta vida diminuta
Com ou sem labuta
Persista na luta
A nostalgia não vale da vida um minuto
Coragem para proferir
Força para não se ferir
Não vá sem ter que ir
Nem fique sem ter que vir
A morte não manda minuta
Consciência é o atributo da razão
Cuidado com a decisão sem volta
Nenhuma revolta lhe dará guarida
Tanta experiência há de ser adquirida
Analise o mundo à sua volta
Ateu Poeta
20/08/2011
33
UM PASSO
Poesia é teu corpo
Teu rosto
Teus olhos
E tu, que não és do poeta
Encantas o mundo com um passo
Um olhar
Um suspiro...
Ateu Poeta
13/07/2011
13/07/2011
34
ODE AO PREGADOR
Pra que dizer que "Deus existe"?
Sabe que não tenho fé
À razão você resiste
Vá pregar na sua sé
Pregador segura é roupa
Sua fé é coisa louca
Você tem cabeça oca
Já estou com a voz rouca
Tenho mais o que fazer
“Lugar de pregador é no varal"
Se rezar é seu lazer
Vá pregar no seu quintal
Ateu Poeta
09/07/2010
35
DESIDERATO FRENESI
Não sei se és musa
Ou confusa poesia
Em minha mente artista
Sei lá, se alquimista sou
Ou canastrão
A pensar que sabe compor
Equações químicas
Filosóficas
Emocionais
Mistas
És sinfonia cósmica
Melodrama no caos
Tempestade enigmática
Nebulosa em primazia
Harmonia em mulher
Verdade em utopia
Mistério em beleza
Fortitude inatingível
Por trás da frágil meiguice
Inequação natural
Permitas que seja eu
Algoritmo em teu seio
O código binário de teu ser
Fantasia de prazer
No avelã de teu corpo-afã
Desiderato frenesi
Anagrama do delta
No logaritmo da paralaxe
De teus sonhos mais secretos
Escritos em dialeto particular
Teu
Coração
Não cora
Por mim
Mas
Nada
Impede
Será sina
De escriba
A platonice?
Ateu Poeta
27/05/2011
36
Apaga o sol
E anoitece
Esse arrebol paga
A paz
Que não tece?
A faca afeta o feto
Fere feito fio
Do condor em cruz
A nostalgia fenece
Nesse altar de ilusões
Frio condutor
Quanto valem os vales
De primores mortos
Que o universo verseja?
Ateu Poeta
11/05/2011
37
QUASE ÍCARO
Ateu Poeta
02/04/2011

Desiluda de uma vez
Este coração poeta
Prefiro um não
A sonhar mil céus
E cair qual Ícaro ao sol
É preciso pousar a pena
Declamar poesia
Calo o cálamo
Que do calo
Nasça o canto
No arrebol
A sinfonia adoça o peito
Satisfeito ou não
O caminho é curto
Então, prossigo
Andarilho
Sem destino
O seio do mundo
É um abrigo temporário
Ateu Poeta
16/04/2011
38
BELA ADORMECIDA
O poeta é um ser apaixonado por tudo quanto não pode ser
Seu coração balança e é alvo fácil embalado pela canção proibida
Mil flechas em seu peito atingido avermelham as asas do Cupido traiçoeiro
O cálamo-lápis lazúli desenha uma armadura de pedra azul ultra-marino
Acordar Brunhilde despertará a fúria de Odin
Seria bom evitar o mesmo fim de Sigurd?
Nem todos nasceram para heróis
O encanto da valquíria deveria ser quebrado?
A que o poeta se renderá, à razão de melindres ou ao instintivo desejo de vencer o fogo de Loki?
Herói é aquele que se rende ou o que vence cortês a cupidez platônica?
Uma mente atônita na batalha das incertezas se perdeu na fortaleza da vida
Não há guarida para aquele que questiona
Ateu Poeta
05/04/2011
39
À tua mordaça padeço
A um terço de quase vida
Poesia que morre em berço
Poeta, empalideço
Sofrida arte sem retorno
Entorno a caneta sem pena
Entorto a letra maldita
Depois de aberta ferida
Com ferro fere e queima
Cada artista tem seu papel
É menestrel no quartel devido
Meus olhos de vidro não se haverão
À escuridão já não se olvida
Ouve-se o que não existe
Haverá em torno?
Ateu Poeta
02/04/2011
40

PARANOMÁSIA
As redondilhas não são redondas ou seria pleonasmo
Ou, por acaso, paranomásia?
A poesia em eutanásia, auto-análise, lirismo
Aforismo da Másia
Para não!
Para que?
Não sei, poetizar!
Poetisa é a vida ávida que inebria de sensatez
Por vez, minha tez já é contaminada de loucura cara
É mais barato comprar poesia feita que fabricar e vender
Mas, o que posso fazer, se sou poeta?
Minha arte e ofício é minha prisão e sustento
Ou sob o teto do vento moraria
_Pra onde vai, Maria?
_Comprar poesia. E você?
_Fico por aqui. Traga duas na volta.
Ateu Poeta
18/03/2011
18/03/2011
























